segunda-feira, 15 de maio de 2017

A alma por trás de... Tiago Ribeiro

A alma por trás de... Tiago Ribeiro



Viu-se rodeado de espelhos, mas não tinha nenhuma porta por onde pudesse sair. Todos os espelhos eram tão altos quanto a parede em que estavam encastrados e tinham um número cravado na base. Sentou-se no centro da sala e pensou no que fazer a seguir. Levantou-se e olhou para o espelho identificado como número 1. O estranho espelho não refletia a sua imagem, nem imagem nenhuma. Era um espelho baço, sem luz… virou-se lentamente e foi de encontro ao segundo espelho.
Surpreendeu-se ao ver a sua imagem, como se estivesse sentado numa mesa, a desenhar. Tinha um retrato à sua frente e copiava com precisão. Sorriu ao ver a sua expressão de felicidade ao chegar ao resultado final. O Tiago, do outro lado, corria de um lado para o outro com o desenho na mão.
Ficou curioso e virou-se para o terceiro espelho. O que o esperava? Do outro lado, completamente sorridente, ensinava um grupo de crianças a dançar ao som do hip-hop português. A coreografia incluía movimentos base de breakdance, tal como os inconfundíveis passos à Michael Jackson. No final, as crianças juntaram-se a ele e Tiago sorriu.
O quarto espelho tinha um palco ao fundo. Como que num anfiteatro as cortinas abriram-se e, Tiago, viu-se no meio de um grupo de dançarinos. Dançou com toda a força da sua alma e terminou ajoelhado no chão. Os aplausos estrondosos fizeram vibrar o espelho, e sentiu-se assolado por uma emoção que teve dificuldade em reconhecer, mas que permitiu que invadisse o seu coração.
De coração cheio, Tiago, colocou-se em frente ao quinto espelho. Sentiu o peito rebentar, quando se viu com o microfone na mão. Tremeu ao ver a emoção que carregava nos olhos e reconheceu-a. Sentiu o sangue a ferver e o coração a palpitar. O público aplaudiu e viu-se a olhar para os céus, a agradecer, como se quisesse fundir às estrelas.
A luz, que invadiu o espaço, ofuscou-o. Tiago, virou-se e deparou-se com o primeiro espelho. Piscou os olhos várias vezes de forma a ajustar-se à claridade. Aos poucos, a imagem ao fundo fez-se ver. Viu-se, ainda novo, em frente à maquina de Karaoke que tinha pertencido ao seu pai. De olhos fechados, cantava Bryan Adams, vezes e vezes sem conta, até acertar nos tons a cem por cento. Ao terminar, abriu os olhos e disse baixinho: “Para ti, meu pai.” O menino Tiago, aproximou-se do espelho e ofereceu-lhe o microfone. Estupefacto, colocou a mão dentro do espelho e agarrou no microfone. Sorriu, ao menino Tiago, e disse-lhe que tudo ia correr bem. Disse-lhe que não se preocupasse porque o pai estaria sempre com ele, e a sua memória bem viva dentro do coração.
A imagem do espelho desapareceu assim como a de todos os outros espelhos. Tiago ficou no escuro, no centro da sala, com o microfone na mão. Sem saber o que fazer, começou a cantar. Percebeu dentro daquela sala que cantar era a única arte que o fazia sentir completo. Era a única arte que o fazia sentir-se em paz. Ao fundo, surgiu uma porta para a qual se dirigiu. Atravessou-a e encontrou-se em cima de um palco. O seu lugar era ali. Cantou para a multidão da mesma forma que o menino Tiago cantou para o seu pai. Terminou com lágrimas nos olhos e pode jurar que viu, ao fundo, o pai a aplaudir freneticamente.

Abriu os olhos e reconheceu o seu quarto. Afinal, tudo não passou de um sonho. Levantou-se e foi até à janela. O silêncio da noite confortou-o e a luz das estrelas iluminou-lhe o espírito. Foi até ao sistema de som e agarrou no microfone. As estranhas emoções que sentiu no sonho, vieram ao seu encontro. Colocou o microfone ao peito e disse bem baixinho: Desta Vez é a Valer.

Um texto de: Adelaide Miranda
Maio 2017

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