sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A Alma Por Trás de... Kelly Silva

A Alma Por Trás de... Kelly Silva



Kelly, com as mangas arregaçadas e as famosas meias brancas, dançava em frente ao espelho ao som de Michael Jackson, “Whose Bad?”. A música e o ritmo vibravam por todo o seu corpo e ele não conhecia sensação no mundo melhor que essa. Tinha, apenas três anos, mas já sabia o que queria para a sua vida. Música. Dança. Entretenimento.
 Cresceu em Angola. Aperfeiçoou a dança em casa, nas festas, no quintal... Debaixo do sol quente, com os calções coçados e suados, Kelly, trepava para cima de telhados e fazia deles o seu palco. Nasceu artista. Deus deu-lhe essa dádiva. Teve o privilégio de não ter de aprender a sua profissão. Nasceu com ela bem fincada nas veias. Nasceu com os sonhos bem delineados. Nasceu com a música e a dança no corpo e Deus no coração.
Kelly, não caminhou aos trambolhões e com incertezas. A única certeza na vida é que iria viver do seu talento para entreter e alegrar as pessoas. Cada passo que deu, cada rota que definiu foi sempre com essa meta no horizonte. Juntou-se a um grupo de dança sabendo que seria uma catapulta para a carreira de cantor. As horas em frente ao espelho e o seu talento nato cedo deram frutos. Kelly, ainda mesmo antes de ser conhecido ao público, já era conhecido aos vizinhos e no mundo dos músicos.
Cresceu, rodeou-se de pessoas que entendiam o seu propósito. Namorou... Noivou. O pai, preocupado, perguntou à noiva se ela estava preparada para entrar no mundo de Kelly. Porque, Kelly, sempre seria artista, sempre iria trabalhar largas horas, sempre iria passar noites fora de casa. Nasceu assim... A noiva, hoje esposa, confirmou que sabia que o caminho dela era esse, ao lado de um homem que sempre soube o que quer. Os filhos, entendem o pai...
Na vida, a única certeza que podemos ter é de quem somos. Defender a nossa posição, defender os nossos sonhos. Batalhar! Nunca permitir que alguém ridicularize os teus projetos e que minimize o teu coração. O que Deus dá, é abençoado. E nunca nos devemos envergonhar da nossa benção. Essa, é a única lei que Kelly segue na vida.

O sonho de artista, já há muito deixara de ser sonho e tornara-se realidade. Um sonho que lhe permitiu ser um bom marido, um bom pai. Um sonho que sempre lhe permitiu sentir-se completo. Hoje, o sonho é terminar advocacia. Kelly, aspira a defender a arte. Porque sem arte, digamos, Kelly nunca existiria.

sexta-feira, 17 de novembro de 2017

A Alma Por Trás de... JLO, "O Exonerador Implacável"!

A Alma Por Trás de... JLo, "O Exonerador Implacável"!

Fonte da Imagem: Twitter de Nuno Carvalho


JLo, deambulava pelo escritório como se tivesse bicho carpinteiro.
Tinha saudades dos tempos de guerrilha, em que os oponentes eram derrotados com um leve primir do gatilho.
Sempre aspirou, mas nunca pensou, chegar a presidente. A sua nomeação foi vista como a forma mais fácil de calar um problema. Acalmar a multidão por um breve período, apenas. O futuro não seria através dele, ele serviu apenas como um mecanismo.
Enganaram-se... Enganaram-se as massas.
No dia de tomada do Poder, JLo expressou a sua vontade. Muitos temeram que se tratassem de promessas vãs. 
JLo nunca teria coragem de enfrentar os tubarões grandes, pensavam as massas.
Dia 15 de Novembro, JLo acordou com um fogo nos olhos. Recordou-se dos tempos de guerrilha em que o medo era o pior inimigo.
Recordou-se do tempo em que as decisões tinham que ser tomadas sobre pressão e qualquer indecisão poderia levar à morte.
E nesse mesmo dia, com a sua armadura invisível, JLo voltou ao ataque.
Decidiu exterminar os presumíveis indestrutíveis com a força de uma caneta.
As guerras já não se lutam com armas. As guerras lutam-se com determinação, e poder. O medo combate-se com um carimbo e um discurso.
JLo, exonerou os "inexoneráveis". Exterminou os "inextermináveis"... 
JLo, "O Guerreiro"! 
JLo, "O Soberano"!
JLo, "O Exonerador Implacável"!



Texto de: Adelaide Miranda, 17/11/2017

quinta-feira, 16 de novembro de 2017

A Alma Por Trás De... Diego Faria

A Alma Por Trás de... Diego Faria




Diego encostou-se à árvore e limpou o suor da testa. O dia já ia a meio e o cansaço já se fazia sentir. O pai, ao longe, continuava a trabalhar na roça. Era impressionante como nunca mostrava sinal de cansaço. Dizia que só se parava quando o trabalho terminasse ou o sol se pusesse, e como o trabalho nunca acabava, o pai trabalhava de sol a sol.
Abriu o farnel, cuidadosamente preparado pela mãe, e deleitou-se com as iguarias. Satisfeito, fechou os olhos e adormeceu...

O barulho da multidão e as luzes do palco fizeram-lhe sentir um nó no estômago. Respirou fundo, contou até dez, e subiu ao palco. O público chamava o seu nome e banda tocava uma melodia impossível de não acompanhar. Sorriu, pegou no microfone e começou a cantar.  A meio da música, pegou no violão e acompanhou a banda. A multidão batia palmas e acompanhava o compasso... Música a música, Diego, animou a multidão e deu um enorme espetáculo. O nervoso miudinho que sentiu no início tinha-se dissipado com  o calor da multidão.

Acordou, com os safanões do pai, e demorou uns segundos a perceber onde estava. Enquanto deixavam a roça e dirigiam-se para casa contou o sonho ao pai. Disse-lhe que tinha a certeza que um dia iria ser cantor. O pai, com um ar preocupado, perguntou como ficaria a roça. Se ele se fosse embora quem o iria ajudar? A pergunta ficou no ar, sem resposta...
Nessa noite, na hora da oração o pedido do Diego foi ligeiramente diferente dos pedidos anteriores. Nessa noite, para além de pedir por saúde, paz e bem estar para a família, Diego pediu forças para seguir o seu sonho custe o que custasse. E assim foi dali em diante... O pedido sempre o mesmo e a vontade de concretizar o seu sonho cada vez maior.

Diego esperou que os pais fossem dormir e saiu na calada da noite. Para trás, ficou uma vida familiar da qual sempre se orgulhou... Para trás, ficou conforto e um lar... Mas tinha noção que o seu futuro não era ali. O palco que pisou, pela primeira vez em sonhos, não se encontrava ali... Com muito medo e dor no coração, seguiu para São Paulo. Algures na cidade grande, a terceira maior do mundo, o seu sonho iria nascer. Tinha a certeza disso. O que mais lhe custou foi deixar a mãe. A mãe guerreira que sempre lutou para lhe dar educação, que sempre lutou para que nunca lhe faltasse nada, que sempre o encheu de amor... Mas a vida segue em frente... E assim foi...

No principio, a cidade grande, era estranha. Por vezes, faltou-lhe o que comer. Por vezes, entrou em desespero mas, mesmo assim, tinha vergonha de pedir dinheiro aos pais. Era difícil, para alguém que nunca passou por dificuldades na vida, de repente, passar fome porque decidiu seguir o seu sonho... Bastava pegar na mala e voltar para casa. A mãe e o pai o esperavam de braços abertos... 
Não! Não podia abandonar o seu sonho. Aprendeu com os seus próprios pais que na vida nada se consegue sem esforço. Eles ,também, há muitos anos, tinham largado tudo para ir para cidade arranjar condições para voltarem para a roça. Eles, também, lutaram pelos seus sonhos e nunca desistiram. Com eles, aprendeu a lutar. Para além do mais, não estava sozinho. Deus o acompanhava passo a passo. No coração trazia a sua família... E esse amor e essa mesma força que o puxava de voltava para o seio familiar era exatamente a mesma força que o fazia continuar. Por eles, ele tinha que chegar lá.

Desorientado, demorou um pouco a perceber em que cidade estava. Foi até a janela e reconheceu Boston. Tinha de se preparar para o concerto que iria dar no final da tarde. Ensaiou com a banda e retirou-se antes do espetáculo começar. Ligou para a mãe e disse que a amava muito e que estava a morrer de saudades... A mãe perguntou quando voltava para casa... A pergunta, não ficou sem resposta: Já corri meio mundo, minha mãe. Hoje, posso dizer que sou o cantor que sempre sonhei. Em breve, minha mãe. Em breve, quando tudo se estabilizar, estarei pronto para voltar para os teus braços. O meu sonho já não é mais um sonho, minha mãe. É esta a minha realidade!




Texto|: Adelaide Miranda, Novembro 2017


O cantor pode ser contactado para entrevistas e actuações:
E-mail: geral.wmm@gmail.com 

Instagram: https://www.instagram.com/diegofariaoficial/




quinta-feira, 9 de novembro de 2017

A alma Por Trás de... Vítor Costeira

A Alma por Trás de... Vítor Costeira



Ai o amor... O amor... O amor... 
Deambulando a caneta pelos dedos, Vítor, procurava a palavra que mais se adequava ao sentimento que lhe assolava a alma: amor... A palavra mais simples, e inquestionavelmente mais utilizada, era insuficiente para o sentimento que transbordava a sua alma. Precisava de algo mais... Algo mais sofisticado que conseguisse transmitir, numa palavra apenas, a imensidão de um sentimento infinito, intemporal, gigante...
Alguém lhe tinha sugerido que o nome de uma mulher poderia refletir o sentimento... Outros sugeriram que o nome de um filho poderia refletir o sentimento... Outros ainda, mais narcisistas, sugeriram que o seu próprio nome refletia o sentimento, mas... Vítor amava mais que uma mulher, mais que um filho, mais que a si próprio. Vítor amava a vida. Amava o simples respirar, amava o simples facto que o Sol nascia e punha-se todos os dias... Amava o mar, as estrelas, as flores, até as pedras que por vezes se colocavam no seu caminho...
Da sua janela, observava o parque... A caneta deixou de deambular e ganhou vida. O momento de vida que observava merecia ser eternizado. Imaginou o que pensava o idoso sentado no parque, sorriu com as travessuras da criança que corria à volta do idoso, que devia sem dúvida ser o avô, questionou-se sobre o motivo da melancolia da senhora de meia idade, encostada à árvore, e aparentemente perdida no tempo. Descreveu o que via com o sentimento que lhe tocava na alma e, como por magia, o idoso deixou de ser um estranho e passou a um velho amigo. Releu o texto, construído como um conto, aprimorou e limou as arestas até sentir-se satisfeito.
Olhou para o relógio e assustou-se com o passar do tempo. Por hábito, perdia-se na sua alma e as horas passavam como se de segundos se tratassem. Preparou-se para ir dar aulas. Afinal, ser professor era a constante na sua vida. Ensinar trazia-lhe de volta ao mundo dos vivos e dava-lhe o balanço essencial para sentir-se como parte integrante de uma sociedade que por vezes questionava. Amava o que fazia. Amava partilhar parte da sua sabedoria, amava aprender com os seus alunos... Para ele, ser professor significava ser também estudante. Todos os dias ensinava algo e aprendia algo. Por ironia, sentia que aprendia mais do que ensinava. A interação com outros seres humanos fascinava-o e carregava-o de energia. E assim, amando o que fazia, passava o dia.
Já deitado na cama, algo o inquietava. Levantou-se e sentou-se na escrivaninha. A caneta dançava pelos dedos à medida que o poema se fazia. Escreveu sobre o mar, escreveu sobre as estrelas, escreveu sobre a lua... Escreveu o que lhe escorria da alma até esta deixar de gritar. Olhou para as suas palavras e pensou... Amor... Ai o amor... O amor... Provavelmente, nunca iria encontrar a palavra para definir o sentimento que mais lhe assolava a alma. Aquele sentimento infinito, intemporal e gigante.

Por agora, contentava-se com os pequenos pedaços de amor que registava no seu caderno, no seu dia-a-dia.  A definição de amor, por enquanto... VIDA!




Texto: Adelaide Miranda, Novembro 2017


O professor / poeta / escritor está disponível para contacto em:
Facebook: https://www.facebook.com/VitorMNCosteira