terça-feira, 24 de outubro de 2017

A alma por trás de... Patrícia Rocha

A alma por trás de... Patrícia Rocha





Colocou a mão na barriga e riu às gargalhadas. Pelo meio, enquanto buscava ar, soltava um ronco ou outro, tamanha era a loucura. Em vez de a fazer parar, o amor da sua vida juntou-se à risada desenfreada. Eram assim, cúmplices até na palhaçada. Com aquele ar de menino perdido, mas com a sabedoria de um homem de avançada idade, conquistou-a. O amor, a paciência, a tolerância, e a partilha entre eles fazia-lhe acreditar que seria para sempre.
Patrícia, pertencia à velha guarda e acreditava num amor para toda a vida. A vida sabe melhor a dois. A vida sabe melhor quando as batalhas são partilhadas, os planos são traçados e as decisões tomadas no plural. Em tempos, tinha perdido a convicção. A doença chamada egocentrismo tinha-se espalhado pelo mundo e ela julgava que já não era possível um amor em torno de nós, não quando o Eu tinha uma força poderosa. Até ele… Com ele o sonho de ter uma família era cada vez mais real.
O que mais a fascinava era o facto de não ter necessidade de se esquecer de si mesma. Por vezes, quando se ama, passamos para segundo lugar, mas com ela isso não tinha acontecido. Nunca abdicou da própria felicidade e só sendo feliz pode fazer os outros felizes. Todos os dias arregaça as mangas e atira-se ao mundo, sempre vestida de um sorriso e também a rigor. Guerreira, seguindo as pegadas da mãe, não deixa nada por fazer e não permite que a tristeza a consuma.
Para se libertar, escreve. Escreve o que lhe vai na alma. Escreve sobre sentimentos, emoções, experiências. Uma terapia que a faz sentir bem, assim como dançar. Sentir-se bem é uma prioridade. Gosta de se sentir bonita para si própria, sente-se mais confiante, mais capaz. Aquela história de rebanho nunca lhe fez muito sentido e segue o seu próprio caminho. A vida é curta e quer viver tudo, hoje. O amanhã… O amanhã pode não chegar.

Saiu do transe e da risada, incrível como tão facilmente perdia-se nos pensamentos. Já não se lembrava o motivo de tanta galhofa, mas também não tinha importância. O importante era estarem ali, assim, juntos. Era uma apaixonada pela vida e vivia cada momento intensamente, in… completamente.




Texto: Adelaide Miranda, Outubro 2017

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terça-feira, 17 de outubro de 2017

A Alma Por Trás de... Ana Silvestre

A Alma Por Trás de... Ana Silvestre



Ana, deixou-se chorar. Nem sempre conseguia ser forte. Não se pode ser sempre forte. Por vezes, é necessário abrir as guardas e permitir que as emoções invadam a nossa alma. Por vezes, é necessário sentir as emoções ao rubro, absorvê-las… 
Desde criança que sempre foi assim. Sempre sentiu a necessidade de entregar-se às emoções. Sempre precisou de sentir intensamente. Sempre precisou de entender o porquê das coisas que a rodeiam. Tal como as emoções, o dia a dia quotidiano intrigava-a. As perguntas que tinha não podiam ficar sem resposta. Intensamente…
Sim. Essa é a palavra que melhor a define. Intensidade. Ana, a intensa. Sempre ouviu dizer que as pessoas mudam com o tempo. Contudo, Ana não mudou com o tempo, apenas intensificou-se. A criatividade, a generosidade, a determinação, a frontalidade que a caracterizavam em criança, acompanharam-na para a vida adulta. Permitiram-lhe viver experiências que a definem. Cada momento vivido, intensamente, cravado na sua alma como que uma impressão digital.
Cada momento vivido, imortalizado, de uma forma ou de outra, nos textos que escreve. O choro tinha começado assim. Tinha chegado ao fim de mais um livro. O misto de emoções, refletidas na história das suas personagens, por norma entravam em erupção ao chegar ao último paragrafo. Ao escrever, dava sempre tudo o que tinha para dar e a descarga de adrenalina, com o final da história, culminava sempre numa choradeira sem fim.
Ana, a intensa… olhou para o relógio e compôs-se. A vida, afinal, não parava. Apressou-se a preparar o jantar. Era dia de casa cheia, dia de alegria, dia de festa, e não podia ser de outra forma. Não sabia viver sem a família e sem os amigos. Eram a sua fonte de energia e ao mesmo tempo a sua razão de viver. O seu “centro”. A sua entrega era total. Em todas as escolhas que fez na vida, a família veio sempre em primeiro lugar. Não podia ser de outra forma. Não fazia sentido de outra forma…

Ana, a intensa. A Ana que dá sem esperar nada em troca. A Ana que vive como se hoje fosse o último dia. A Ana que escreve porque não consegue existir de outra forma. A Ana que é a Ana porque tem a família que a ama. A Ana que desde criança sabia que só deste jeito poderia ser a Ana. Pois é, ela sabia… Já estava escrito.

Texto: Adelaide Miranda, Outubro 2017


A escritora, Ana Silvestre, está disponível para contacto:

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sexta-feira, 6 de outubro de 2017

A alma por trás de... Paula Bollinger

A alma por Trás de... Paula Bollinger




Paula, sentou-se no sofá e aconchegou-se no seu canto favorito: o ombro do seu marido. Respirou paz e amor. Finalmente, encontrou o que tinha procurado uma vida inteira. Ali, aninhada no seu porto seguro, grudada no seu príncipe encantado, alcançou o sonho de uma vida: encontrar a alma gémea, a alma que a entendesse sem que ela precisasse falar, a alma que a protegesse sem que ela precisasse de pedir socorro, a alma que encaixasse perfeitamente nas curvas quebradas da sua.
Quase a adormecer, despertou com o samba de roda que se dançava no seu ventre. O maior milagre da sua vida, a pequena Isabella, talvez por sentir a paz interior, a felicidade e o amor que emanava da sua mãe, decidiu celebrar sambando ao ritmo do amor. Carinhosamente, Paula colocou a mão de António sobre o seu ventre e ambos sorriram com cumplicidade.
É incrível, como a vida corre e como o tempo passa, pensou Paula. Sonhadora e aventureira, desde pequena, sempre soube que o segredo da vida era viver intensamente. Cidadã do mundo, cedo aprendeu que a paz e a estabilidade encontra-se dentro do lar. Cedo aprendeu que o lar não é feito de quatro paredes mas de amor e união. Passou por vários países e absorveu muitas culturas. Com cada mudança aprendeu que nunca se deve deixar nada por fazer porque depois pode ser tarde demais. Ao crescer, viveu em vários cantos do mundo e, apenas teve uma constante na vida: a família.
Como mulher, sempre lutou por viver a vida intensamente. A vida não vale a pena ser vivida se for tomada como garantida. A energia que carregamos deve ser utilizada para seguirmos os nossos sonhos, para sermos melhores que nós próprios. Todos os dias devemos competir com o nosso eu de ontem, tentarmos ser melhores, mais humanos, mais vivos. Nas mil vidas que viveu tentou sempre fazer o que a sua alma pedia, o que a sua alma gritava. Sem medos largou o que teve que largar, recomeçou o que teve que recomeçar. Sempre definiu o seu amanhã, sempre definiu a sua profissão. Lutou contra o protótipo da mulher convencional e foi diretora de televisão numa altura em que as mulheres ainda eram vistas como domésticas. Tornou-se fotografa masculina contra os standards da sociedade. Viveu muito e perdeu pouco. Os erros foram lições da vida que a ajudaram a chegar onde chegou hoje.
Conquistou o mundo, mas faltava ser conquistada. Procurou o amor, o lar que lhe trouxesse paz interior, e lutou. Lutou muito por amor. O maior sonho, o de ser mãe, foi lhe roubado pela natureza. O diagnóstico, pouco favorável, tirou-lhe a esperança e deixou de sonhar em gerar uma criança. Mas o amor, o amor não se procura...  O amor encontra-se. E quando menos esperava, encontrou a alma que lhe pertencia. Uma alma que entrou no seu intimo e reacendeu a paixão pela cozinha. Uma alma que entrou no seu íntimo e curou a sua dor profunda. O amor... O amor faz milagres...

Aninhada no seu porto seguro, Paula, deixou-se adormecer. O amor faz milagres... O maior milagre da sua vida estava a sambar no seu ventre. Viveu mil vidas em uma, fez o que tinha que fazer, lutou o que tinha que lutar. A vida conspirou para que nesse preciso momento estivesse exatamente onde tinha de estar: ao lado da sua alma gémea, carregando em si, contra todas as expectativas, o milagre da vida. 



Texto: Adelaide Miranda, Outubro 2017

A fotografa/blogger, Paula Bollinger, está disponível para contacto:

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