segunda-feira, 25 de julho de 2016

A alma por trás de... Silver Saga

“A alma por trás de... Silver Saga”

Um a um, os jogadores de cada equipa foram sendo escolhidos. Sílvio esfregava as mãos impacientemente enquanto as gotas de suor começavam a escorrer lentamente pela frente. A certeza de que não seria um dos escolhidos aumentava com o aumentar do número de jogadores por cada equipa. Quando os outros miúdos pegaram na bola e foram a correr para o campo de areia, Sílvio virou as costas, meteu as mãos nos bolsos e, de cabeça baixa, foi para casa resignado.
Acordou a meio da noite e sentou-se à beira da cama. O sonho que lhe levava ao passado assombrava-o sempre na véspera de uma data importante. Amanhã seria o dia da gravação do vídeo da música “Plano B” e, por mais que não fosse o primeiro vídeo, dava sempre um nervoso miudinho que trazia sempre à superfície as dores da sua infância em Angola em que, por ser uma criança ligeiramente mais privilegiada que as outras, sentia a rejeição por parte dos miúdos da sua idade. Sempre quis fazer parte de um grupo, sentir-se integrado e infelizmente devido às suas origens não o podia fazer.
Levantou-se e foi até à cozinha, abriu o frigorifico e tirou a garrafa de água. Sentou-se à mesa, no escuro, e refletiu sobre o vídeo que iria gravar no dia seguinte. Ainda não sabia onde foi buscar a coragem para gravar esta música. Uma música que lhe relembrava a dor de uma traição e a humilhação que sentiu ao descobrir que foi enganado. Como foi possível durante oito meses sentir que tinha encontrado a mulher dos seus sonhos e na realidade essa mesma mulher ser efetivamente a mulher dos sonhos de outro homem... No fim de contas afinal ele era o outro... Sentiu-se usado e enganado. Um a um os sinais que ignorou vieram-lhe à cabeça. As evidências estavam todas lá, ele é que as tinha ignorado. O amor não é cego, como se diz por aí, o amor faz-te cego isso sim.
No dia em que descobriu o que realmente se tinha passado jurou para si mesmo que nunca mais iria ignorar os sinais. Lembrou-se de outro episódio que o marcou muito: a paixão louca que sentiu durante os dois anos que esteve na China e que sempre pensou incorrespondida. Durante dois anos pensou em aproximar-se da rapariga em questão e não teve coragem. Nunca teve coragem de dar o primeiro passo, apenas para vir a saber, no último dia da sua estadia, que ela também gostava dele. A melhor escola é e sempre será a escola da vida... Estas situações iam-lhe moldando a personalidade e a forma de responder ao mundo.
Nunca desperdiçar oportunidades e nunca ignorar sinais... Duas lições que aprendeu e que nunca iria esquecer.
O telefone vibrou e recebeu uma notificação, que tinha criado há uns tempos atrás: “Inscrição na Faculdade”. Não se podia esquecer-se de ir à faculdade inscrever-se no último semestre do curso de Relações Internacionais e Ciências Políticas na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas. Faltava pouco para terminar e devia isto aos pais. Apesar de não pensar em seguir a carreira tinha de terminar o curso, um curso que o tinha ajudado a analisar as situações de uma forma mais lógica. Depois de regressar de Luanda, em Janeiro, iria focar-se durante uns meses em terminar este curso para que depois pudesse voar. Voar e viver da música apenas e quem sabe um dia abrir uma editora de forma a dar oportunidades a jovens como ele que sonham e respiram música mas não têm meios de seguir esse sonho.
Levantou-se da mesa da cozinha e dirigiu-se para o quarto. Amanhã seria um grande dia... Mais um dia em que os sonhos se realizariam através da gravação de um vídeo clip. Por agora tinha de descansar e não podia continuar a divagar...




Um texto de Adelaide Miranda

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